segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

Artesania da Imagem - Pinhole.





A imagem fotográfica através dos tempos.
Da impressão fotográfica do século XIX à fotografia  digital.
Processos artesanais em fotografia.
Pinhole – A câmera do buraco da agulha.

Artesania da Imagem.

·      Materiais necessários
  Lata de alumínio/diversos tamanhos
  Papel alumínio
  Color 7 ou Paraná
  Fita crepe
  Cola branca
  Martelo
  Prego
  Tesoura
  Agulha
  Bandejas
  Frascos escuros
  Pinças
  Lápis
  Régua
  Borracha
  Luz de segurança
  Papel fotográfico – Kodak – N3
  Químicos – Dektol, Interruptor, Fixador
  Printing frame

·      Método
Pinhole é um processo alternativo de se fazer fotografia sem a necessidade do uso de equipamentos convencionais e sofisticados.
O termo em inglês Pinhole ou Pin-Hole, significa “buraco da agulha”.
Sua câmera artesanal pode ser construída facilmente, utilizando-se materiais simples e com poucos elementos.
A pinhole é um compartimento todo fechado onde não existe luz, ou seja, uma câmera escura com um pequeno orifício (diafragma), no qual a luz penetra. Essa luz entra no momento em que se abre o obturador (cortina) e sensibiliza o papel sensível no interior da câmera, num tempo determinado pelo fotógrafo.

·      Construção da câmera Pinhole
O material utilizado para a construção da câmera pinhole é bastante simples, e pode ser desde uma caixa de sapatos, latinhas de leite em pó, até caixas de madeira um pouco mais elaboradas.
O primeiro passo para sua construção é fazer um furo na caixa/lata, utilizando para isso, um prego/martelo. Após deve-se rebater a rebarba deixada no interior da caixa/lata com o auxílio de um martelo pequeno.
Em seguida deve-se transformar a caixa/lata em uma câmera escura. Para isso, é importante escolher um material que vede bem o seu interior, impedindo desse modo, a entrada da luz. Com papel cartão preto, reveste-se todo o interior da caixa/lata, inclusive sua tampa, tomando o cuidado de não deixar nenhuma área descoberta. Portanto, deve-se tomar o cuidado de não tampar o furo com  o papel cartão. Para isso, deve-se fazer um recorte  no papel cartão suficiente para deixar o furo livre.
Em seguida, recorte um pedaço pequeno de papel alumínio, que seja suficiente para cobrir o furo feito na caixa/lata no lado de fora e com fita crepe, fixe o alumínio deixando–o bem alinhado e liso. Passe o dedo suavemente sobre a superfície do alumínio, de modo a deixar a marca do buraco e aí pegue a agulha e faça um pequeno furo. Esta fase é muito importante, pois estamos construindo o orifício que permitirá a entrada da luz no interior da câmera, e, conseqüentemente a formação da imagem fotográfica.
É importante lembrar que o tamanho do orifício deve ser o menor possível, pois é o seu tamanho que  irá determinar e definir o foco e a nitidez na imagem gerada pela câmera. Se o orifício for muito grande/ em relação ao tamanho da câmera, obteremos uma imagem desfocada. Assim, quanto menor a câmera, menor deverá ser o orifício que permitirá a entrada de luz.
Se o orifício permite a entrada de luz no interior da câmera, é necessário uma barreira para impedir e controlar a entrada da luz. Assim, devemos construir o obturador ( cortina) que é feito recortando um pedaço de papel cartão preto e colocado na frente do orifício, fixando-os lateralmente com fita crepe, e impedindo, desse modo, a entrada da luz. É interessante acrescentar a essa “cortina”, um desenho a seu critério, que identifique o local onde está situado o orifício, visto que esse tipo de câmera não possui visor, facilitando dessa forma, a escolha correta do melhor ângulo para se fazer a fotografia.
Há vários formatos e tamanhos de pinhole, ficando o resultado final, sujeito a essas variações.

·      Manipulação e Fotografia Pinhole
 É bom lembrar que o papel fotográfico utilizado como negativo é sensível a luz, portanto requer cuidados na hora do manuseio, devendo o carregamento da câmera ser feito em local seguro a luz, para que não aja a velatura do  papel/negativo. Em princípio, podemos utilizar qualquer tipo de papel ou de filme, na obtenção da imagem com câmera  pinhole, mas normalmente e para termos total controle do processo, usamos na produção do negativo, o papel fotográfico para P&B ou filmes ortocromáticos de artes gráficas (fotolito) com baixa sensibilidade, semelhante ao papel. A vantagem de se usar este material é a de termos a possibilidade de manuseá-lo com segurança, podendo ver o que estamos fazendo sob a luz vermelha (luz de segurança), que não danifica o material fotográfico.
Portanto, para carregarmos a pinhole com o papel/filme, basta fixá-lo na parede interna da câmera, centralizando-o frente ao orifício e tampar a câmera.
Para se fotografar com a pinhole, é  normalmente necessário uma exposição prolongada. No momento da tomada da foto, a câmera deve estar apoiada sob uma base fixa, evitando, desse modo, que as imagens apareçam tremidas.
Para encontrar o tempo de exposição correto, é necessário praticar várias vezes, alternando a exposição para mais ou para menos, tomando o cuidado de anotar os tempos/condições de luz, para se chegar a um resultado satisfatório.
Dicas: Quanto maior a câmera, ou melhor, quanto maior a distância do orifício do papel/negativo, maior deve ser o tempo de exposição. Este tempo também está relacionado à quantidade de luz da cena que queremos fotografar.
A composição de uma fotografia e seu enquadramento também depende de experiências previamente realizadas, pois a pinhole não possui visor.

·      Revelação e cópia da fotografia Pinhole
Para se fazer a revelação e cópia das fotos da câmera pinhole o processo é o mesmo da fotografia convencional, sendo possível a improvisação de um laboratório; usando para isso um espaço alternativo, adaptado as condições de trabalho. Assim, o banheiro é um ótimo local, visto que ali temos água e espaço (pequeno) para o trabalho.
Para tanto, devemos vedar qualquer entrada de luz, e trabalhar somente com a luz de segurança (vermelha).
O equipamento utilizado nesta fase será:
 Banheiras (03)
 Recipientes para guardar os químicos
 Pinças (03)
 Químicos: dektol, interruptor e fixador
 Papel fotográfico N3 – Kodak
Printing Frame
Uma vez exposto o papel/negativo a imagem existente é latente e ainda não é visível, sendo necessário o processo de revelação para tornar a imagem aparente.
O revelador é o químico que irá fazer com que as imagem apareça –  de 1 a 2 minutos de revelação (descartada).
Após, o papel é colocado no interruptor, que irá interromper o processo de revelação – 30 segundos ( descartado).
O fixador elimina o resto da prata  que não foi exposta à luz, fixando a imagem permanentemente no papel ou filme – 5 a 10 minutos (reaproveitado).
Finalmente, a foto deve ser lavada em água corrente por  aproximadamente 10 minutos e a seguir deve ser deixada para secar.
As cópias em positivo são conseguidas por contato, isto é, colocando face a face a imagem em negativo com o papel fotográfico virgem e sobre ele uma lâmina de vidro (printing frame). Depois o “sanduíche” é exposto à luz por alguns segundos. Para conseguirmos uma boa cópia em positivo, é necessário fazer um teste para encontrar o tempo adequado para a exposição. Este teste é na verdade uma escala de tempos dobrados de exposições.
Para se conseguir esta escala, basta expormos (por exemplo) a cada  2 segundos uma faixa deste “sanduíche”; assim encontraremos uma faixa de exposição ideal. O processo de cópias pode ser feito usando uma fonte de luz do ampliador ou, no caso alternativo, uma lâmpada de 60W acesa sobre o “sanduíche” a uma distância mínima de um metro e meio.
Após a exposição, procedemos a revelação do positivo, do mesmo modo que fizemos com o negativo.
A técnica da fotografia  pinhole é de certo modo empírica, e depende de experiências, tentativas, observações e anotações para sua correção.
Assim, para fazermos boas fotos devemos ter vontade e muita prática.

·      Preparação dos Químicos ( negativo/positivo)
Revelador Dektol
Aqueça 1 litro de água a uma temperatura de 38°C. Em seguida, coloque 900 ml da água em um recipiente de plástico e coloque o químico dektol aos poucos, mexendo sempre por aproximadamente 20 minutos. A temperatura de diluição deverá ficar entre 32° - 38°C. Após a diluição de todo químico, completar com água até atingir 1 litro. Armazenar em frasco escuro e de preferência sanfonado. Usar a 20°C.

Fixador
Aqueça 1 litro de água a uma temperatura de 27°C. Em seguida, coloque 900 ml da água em um recipiente de plástico e coloque o químico fixador aos poucos, mexendo sempre por aproximadamente 5 minutos. A temperatura de diluição deverá ficar entre 27°C. Após a diluição de todo químico, completar com água até atingir 1 litro. Armazenar em frasco escuro e de preferência sanfonado. Usar a 20°C.

·      Construindo o visor Pinhole
·      Materiais necessários
       Color 7 ou Paraná
       Lápis
      Régua
      Estilete
      Cola
      Papel vegetal

·      Método
A construção do visor pinhole é bastante útil , pois permite encontrar o foco ideal e alterar a imagem projetada em seu enquadramento, como uma tele objetiva zoom.
O visor não é feito para se fotografar; sua finalidade é a de possibilitar uma visão da imagem produzida dentro da câmera fotográfica. É um visor inteligente, que pode ser usado para a observação de um eclipse solar; em brincadeiras que desenvolvem a coordenação e a percepção visual.
1.     Conforme ilustração, pegue o papel cartão e risque as medidas necessárias para sua confecção, cortando e dobrando em forma de uma caixa. Neste formato faremos duas caixas, sendo que uma seja ligeiramente menor que a outro, pois elas trabalharão por encaixe, como uma gaveta. Esta por sua vez seguirá o mesmo esquema de construção da outra, tendo apenas como diferença a tampa de fundo que deve ser feita com papel vegetal e ser um pouco mais comprida. Procure manter uma diferença mais ou menos precisa entre as duas caixas, possibilitando um encaixe sem folgas.
2.    Depois de prontas as caixas, pegamos a primeira, que é a externa e nela faremos o furinho (semelhante a pinhole)  no centro da tampa. Faça um pequeno furo centralizado na tampa de fundo da primeira caixa.
3.    A seguir, encaixamos a menor ( com tampa de fundo de papel vegetal) dentro da maior, como uma gaveta.
4.    O movimento de vai e vem do sistema de encaixe ( que tem a função de zoom, afastando e aproximando a imagem). Não devemos deixar folgas entre as caixas para evitar a entrada de luz, e comprometer, dessa forma o obtenção da imagem em seu interior.
5.    Para usá-la basta um lugar com uma cena bem iluminada pela luz solar. Pelo visor deveremos enxergar a imagem invertida projetada sob o papel vegetal. A imagem às vezes demora um pouco até que possamos vê-la com clareza, pois o olho precisa de um tempo para se acostumar na escuridão. Aos poucos a imagem vai chegando e já podemos vê-la. Movimentando a parte externa do visor iremos perceber a aproximação ou o distanciamento da cena como numa câmera com objetiva zoom.

Texto elaborado por: denise galli.
Foto: Google.

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